A Organização das Nações Unidas
(ONU) divulgou recentemente um relatório que é um autêntico tapa na cara
de quem pensa o meio ambiente apenas com cifrões nos olhos e nem um
pingo de consciência ambiental. O custo global com o desmatamento e a
perda da biodiversidade alcança, todo ano, astronômicos US$ 4,5 trilhões
ou algo em torno de R$ 9 trilhões. Para efeito de comparação, esse valor
é maior que o prejuízo provocado pela crise financeira mundial do ano
passado. E é três vezes o nosso Produto Interno Bruto (PIB), que em 2009
foi equivalente a R$ 3,140 trilhões. Ou seja: a degradação ambiental
consome por ano o mesmo que três economias brasileiras produzem no mesmo
período.
É ou não é estarrecedor?
Batizado de Terceiro Panorama
Global de Biodiversidade, o relatório do Programa das Nações Unidas para
o Meio Ambiente (Pnuma) cita alguns exemplos de como a situação anda
feia - e de como determinada situação deve ser enfrentada. No Vietnã, a
plantação e proteção de 12 mil hectares de mangues custaram US$ 1
milhão, porém trouxeram economia de US$ 7 milhões em gastos anuais com
manutenção de diques.
A China, cuja economia cresce a
níveis assustadores, permitiu a destruição de florestas, por mais de 40
anos, para obtenção de madeira destinada à construção civil e à
indústria moveleira. O país resolveu banir o desmatamento em 17 de suas
províncias após constatar graves problemas de desertificação. O
histórico Rio Amarelo praticamente morreu. Ocorreram enchentes
devastadoras, como a de 1998, que causou danos de bilhões de dólares.
O estudo aponta que 42% das
espécies de anfíbios e 40% das de aves têm população em declínio. A
população de espécies de vertebrados caiu 31% globalmente entre 1970 e
2006, em média. Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo revela
que, em uma amostra de 57 países, foram achadas mais de 542 espécies
invasoras com algum impacto para a biodiversidade - média de 50 por
país. "Muitas economias continuam cegas para o enorme valor e papel da
diversidade de animais, plantas e outras formas de vida num ecossistema
saudável e funcional de florestas e água para solos, oceanos e a
atmosfera", afirmou Achim Steiner, diretor executivo do Pnuma.
O
trabalho da ONU demonstra, cada vez mais, que todos nós temos
responsabilidade pelos destinos do planeta e que precisamos começar a
agir ou intensificar ações locais para que haja resultados globais. Em
Londrina, por exemplo, convênio entre a prefeitura e o Instituto
Ecometrópole, assinado nessa quinta-feira, dá impulso importante a uma
gestão ambiental compartilhada entre todos os atores sociais. Que não
fique só no papel!