Depois de muito dinheiro gasto como a construção de tubos de canalização para vazão das águas de esgoto e de águas pluviais, um novo pensamento começa a crescer no Brasil. Mesmo que ainda esteja em uma fase embrionária, está circulando tanto no meio acadêmico como no âmbito profissional a filosofia da drenagem urbana sustentável.
Com aproximadamente 10 anos de implantação no País, a drenagem sustentável tem como princípio oferecer outras estratégias para o destino das águas que circulam pela superfície do solo de uma forma que não agrida o meio ambiente. "Os atuais métodos utilizados para drenagem urbana são muito agressivos para a natureza. Algumas das companhias de água e esgoto não oferece tratamento desse material e são despejados diretamente em rios", afirma Carlos Eduardo Tucci, professor de Recursos Hídricos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Tucci irá ministrar a palestra "Drenagem Urbana Sustentável no Brasil", cujo no conteúdo irá apresentar a realidade e as condições em que se encontram os empreendimentos onde foram adotados a sustentabilidade na execução. A palestra do professor faz parte da programação do "Workshop de Gestão Integrada para a Drenagem Urbana Sustentável", que será realizado no dia 8 de agosto (terça-feira), às 8h, no Hotel Crystal.
Os primeiros registros de implantação da sustentabilidade na drenagem urbana foram feitos na Europa há mais de 30 anos. O investimento nessa área começou a começou a crescer devido aos altos custos para a construção de tubos de canalização. Para se ter uma idéia da exorbitância do preço, segundo Tucci, recentemente o governo de São Paulo gastou dos cofres públicos US$ 50 milhões para a construção de canais de vazão.
No exterior a implantação desse novo sistema foi de forma gradativa e eficaz. O primeiro passo foi pensar em algum método para corrigir o atual impacto. Foram criados grandes reservatórios para armazenar as águas oriundas das chuvas, assim o fluxo até chegar à jusante (local onde o rio deságua) seria mais calmo, minimizando a ocorrência de inundações e enchentes. Em território nacional existe um sistema semelhante no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. A água é retida por até 24 horas até que o fluxo de vazão se normalize para que assim, seja despejada.
De acordo com o estudo de Tucci, esse empreendimento causaria polêmica aqui no Brasil. Por ser um reservatório de águas poluídas, a população não acredita que a manutenção e limpeza dos tanques fossem regular pelo poder público, criando, dessa forma, mais um empecilho a até mesmo se tornando uma questão de saúde pública.
Um outro procedimento adotado pelos países europeus é a implantação da sustentabilidade no plano diretor de cada cidade. Os terrenos destinados a construção têm 35% de reserva para aproveitamento público como a construção de calçadas e 1% dessa área de reserva é destinado a implantação de reservatório de água.
"Com essas medidas, o problema nas bacias hidrográficas são reduzidos consideravelmente e com isso a incidência de enchentes, inundações e de impacto ambiental são menores", pontua o professor
Muriel Amaral